Contemplações e Terços

 TERÇO DE JESUS CRUCIFICADO

Ou Das sete Palavras de Jesus sobre a cruz.

(Contemplação, com Maria, dos sete mistérios das Palavras de Jesus Crucificado)

      ESQUEMA:

  1. Oração a Jesus crucificado
  2. Acolhida por parte de Jesus
  3. Mistérios das Palavras de Jesus Crucificado, cada um seguido pelo “Pai nosso”… por 7 “Ave Marias”…, pelo “Glória ao Pai” e pela jaculatória: Ó meu Jesus perdoai-nos, livrai-nos da infelicidade eterna, levai as almas todas para os Céu e socorrei especialmente as que mais precisarem de vossa misericórdia.
  4. Salve rainha (No final).

1º Mistério: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem” (Lc 23, 33-34)

Leitura bíblica

      “Chegando ao lugar chamado caveira, lá o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem”. Depois, repartindo as suas vestes, sorteavam-nas”

(Lc 33-34)

Meditação:

Jesus, por ser Deus feito homem, pode perdoar os pecados, mas não pôde dar o perdão aos que o crucificaram. Não pôde, porque neles faltava o arrependimento. Pediu, então, ao Pai – oferecendo a sua vida -, para que lhes perdoasse, iluminando-os a fim de se arrepender.

Eu vivo arrependido das minhas falhas, dos meus pecados para com o próximo e para comigo, que são as verdadeiras ofensas a Deus? Durante este mistério, peçamos sinceramente perdão dos nossos pecados. Antes morrer que pecar! Repitamos essa jaculatória frequentemente durante o dia.

2° Mistério: “Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43).

Leitura bíblica

“Um dos malfeitores suspensos à cruz o insultava, dizendo: “Não és tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós. Mas o outro, tomando a palavra, o repreendia: “Nem sequer temes a Deus, estando na mesma condenação? Quanto a nós, é de justiça, estando pagando por nossos pecados; mas ele não fez nenhum mal. E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu Reino”. Ele respondeu: “Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 39-43).

(Lc 39-43)

     Meditação

     Três pensamentos:

Primeiro: Jesus ao dizer: “Hoje estarás comigo no Paraíso”, é como se dissesse: “Hoje estarás comigo na minha casa”. Isto é, mostra que ele vivia numa comunhão, numa unidade contínua e profunda com a sua Divindade, com a Santíssima Trindade. Também eu vivo estando continuamente unido, com o pensamento e o coração, com Deus, com a Trindade santa, que habita em mim?

    Segundo: Jesus, quando encontrava uma pessoa arrependida, sempre a perdoava. Ele continua a não se cansar de nos perdoar se estivermos arrependidos de verdade.

     Terceiro: Jesus, embora estivesse na agonia de sua vida terrena, no meio de sofrimentos inimagináveis, pendurado na cruz, flagelado, ensangüentado e sofrendo também o castigo eterno dos nossos pecados, ainda assim não se preocupa com a sua própria dor, mas com a dor, com o bem dos outros. Eu vivo amando os outros no trabalho, na alegria e no sofrimento?

3° Mistério:  “Mulher, eis o teu filho!” Depois disse ao discípulo: “Eis a tua Mãe!” ( Jo 19, 26-27).

Leitura bíblica

“Perto da cruz de Jesus, permaneciam, de pé, sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Então Jesus, vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse a ela “Mulher, eis o teu filho!” Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!” E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19, 25-27

 ).

Meditação

Nesse momento de Salvação, Jesus entrega à sua mãe, como filho, João – que, nessa hora de redenção, representa cada pessoa humana; quer dizer, na pessoa dele, Jesus entrega a Maria, como filho, cada um de nós.  Entrega também a própria Mãe a João e, através dele, a nós.

Assim, Maria, mãe de Jesus, passa a ser também nossa mãe; e cada um de nós se torna, com Jesus e em Jesus, seu filho.

Isso por que?

Porque a paixão e morte de Jesus, obtendo-nos o perdão dos pecados e a transmissão de sua Vida divina – que é o Amor verdadeiro de Deus -, unem-nos a Jesus como o galho ao tronco, isto é, como membros dele, em unidade de pensamentos e vontades. E assim, como membros de Cristo, também nós   tornamo-nos filhos dela.

 Amar a Maria, viver como seus filhos, tê-la por mãe significa, pois, viver em íntima união com Jesus, como seus membros vivos, sua presença visível, implementando a sua missão redentora. De modo que, a verdadeira devoção de filhos a Maria é viver em Jesus, deixar Jesus viver em nós, imitando-a.

Eu amo Maria desse modo? É essa a verdadeira devoção a Maria!

4º Mistério: “Tenho sede!” (Jo 19,28)

Leitura bíblica

“Depois, sabendo Jesus que tudo estava consumado, disse, para que se cumprisse a escritura até o fim:  “Tenho sede!”

(Jo 19, 28).

 Estava ali um vaso cheio de vinagre. Fixando, então, uma esponja embebida de vinagre numa vara de hissopo, levaram-na à sua boca

(Jo 19, 28-30)

Meditação

Esse grito de Jesus certamente revela também uma sede física, devido especialmente à perda de sangue, consequência da flagelação, da coroação de espinhos, da subida ao calvário e da crucificação. Mas nesse momento de Redenção manifesta, sobretudo, o imenso desejo de Jesus de ver realizada a sua obra de salvação, isto é, a salvação de cada ser humano, a minha salvação.

As pessoas ali presentes que escutaram esse grito não compreenderam o seu sentido profundo. Mas nós que, iluminados pelo Espírito Santo, recolhemos o seu eco e o compreendemos, perguntemos-nos: como eu estou tirando a sede de Jesus que morre por mim e pelos meus irmãos?

Oferecendo-lhe vinagre ou dispondo-me a arrepender-me dos meus pecados, a viver uma vida nova de verdadeira de fé e a tornar-me instrumento de evangelização, mensageiro da morte e ressurreição dele para os meus semelhantes, com o exemplo da minha vida e a minha palavra?

Perguntemo-nos também:  Já aceitei o chamamento a me tornar DEVOTO (A) e MENSAGEIRO (A) do “Santuário de Jesus crucificado e de Maria Causa da nossa Alegria”?  Sendo mensageiro (a) do Santuário, levo os peregrinos até Jesus, para que encontrem ou renovem e aprofundem a fé nele e passem a viver no seu Amor para com as pessoas?  Estou também preocupado (a) com as necessidades do Santuário, para que nele os peregrinos possam ser bem acolhidos?  O que eu posso fazer?  

5° Mistério: “ Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? ” (Mt 27, 46)

Leitura bíblica

“Desde a hora sexta (meio dia) até a hora nona (Três da tarde), houve treva em toda a terra. Lá pela hora nona, Jesus deu um grande grito: “Eli,Eli, lemá sabachtáni ?”, isto é, “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”.  Alguns dos que tinham ficado ali ouvindo-o disseram: “Está chamando Elias! ”… Mas os outros diziam: “Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo” (Mt 27, 45-50).

Meditação

“Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste”? É o grito mais lancinante, doloroso, de Jesus sobre a cruz.

Jesus veio para pagar o castigo dos pecados cometidos pela humanidade de todos os tempos e, assim, nos obter o perdão deles. Incrível! Para isso, como supremo sofrimento, experimenta o abandono de sua Divindade, de Deus. Isto é, o sofrimento, antes de morrer, foi tão profundo e inimaginável, a ponto de não sentir mais nem sequer o amor do Pai, da sua Divindade. E isso é realmente o sofrimento do Inferno.

Com efeito, o inferno é o desespero ilimitado e eterno de não sentir mais o amor de Deus, nosso Criador e Pai. É como estar eternamente na escuridão quando sentimos a necessidade absoluta de estar na luz. É pior do que o sofrimento da criança que sente a necessidade da mãe que lhe foi tirada para sempre.

O inferno deve ter ouvido esse grito de desespero, e certamente estremeceu!

Durante este mistério pensemos na gravidade do pecado, no abismo doloroso do abandono do Pai   experimentado por Jesus e no amor dele para conosco, para comigo.

Peçamos-lhe, pois, perdão e que não permita que, por falta de arrependimento, mereçamos o inferno. Enfim, imploremos força divina de nunca mais pecar, porque o pecado ofende a Deus, separa-nos dele e abre-nos as portas do inferno!

6° Mistério: “Tudo está consumado (realizado)” (Jo 19, 30)

Leitura bíblica

“Quando Jesus tomou o vinagre, disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19,30).

Meditação

Jesus declara que tudo o que ele devia fazer fora cumprido. O que ele devia fazer?

Cumprir a tarefa, a obra que o Pai lhe tinha confiado, que era reconduzir a humanidade para Ele.

Mas como? Sobretudo mostrando aos homens o Amor de Deus para com eles, com a  morte de sua humanidade sobre a cruz.

Isso para que eles fossem salvos do pecado, que os afastara e os afasta de Deus, condenando-os à infelicidade eterna.

Pela morte de Jesus, o Amor de Deus nos perdoa os pecados. Para isso, porém, é necessário o nosso arrependimento, que significa abandonar o que fazemos de errado e voltar para Deus, vivendo no seu Amor, fonte de todo bem e de verdadeira realização, de felicidade eterna.

Eu abandonei o pecado ou, pelo menos, estou empenhado a fazê-lo com sinceridade e perseverança, usando para isso todos os meios necessários?

Esses meios são: rezar muito, muito; procurar seriamente conhecer bem o ensinamento de Jesus; viver no Amor verdadeiro de Deus, isto é, na fraternidade; e, enfim, ser mensageiro de Jesus morto e ressuscitado por nós, pregando o arrependimento e vida nova de amor.

7° Mistério: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46)

Leitura bíblica

“Era já mais ou menos a hora sexta quando houve trevas sobre a terra inteira até a hora nona, tendo desaparecido o sol. O Véu do Santuário rasgou-se ao meio, e Jesus deu um grande grito: “Pai em tuas mãos entrego o meu espírito”. Dizendo isso, expirou (Lc 23, 44-46; cf. Mt 27,51+).

Meditação

São Lucas, das sete Palavras de Jesus sobre a cruz, relata-nos três.  A primeira e última – que são também a primeira e a última das sete –  são dirigidas ao Pai, como se o Evangelista quisesse nos fazer entender que, por ser o Pai o seu primeiro e último interlocutor, também as demais cinco Palavras por ele pronunciadas estavam inseridas nesse diálogo filial.  Isso manifesta que ele era realmente a Palavra filial do Pai no mundo: a Palavra encarnada, a manifestação do seu Pensamento divino de Amor.

Assim, Jesus, no mistério dessa Palavra, se nos apresenta como o Filho que o Pai enviou ao mundo para nos tornar, com o dom do Espírito Santo, partícipes da sua filiação divina.

Ele, enquanto Filho, sobre a cruz, num ato supremo de confiança e esperança, mesmo no momento em que experimenta o máximo abandono, aquele do Pai, se entrega nas mãos dele e, com ele e nele, entrega cada um de nós na sua “hora final”, na hora da morte.

Cedo ou tarde, chegará essa nossa “última hora”. Nesse momento – lembrando que, pela morte de Jesus, somos filhos do Pai – unidos a Ele sobre a cruz e assistidos por Maria, nossa mãe, entreguemo-nos nas mãos da bondade e misericórdia da Trindade Santa, confiando e esperando nela.

Pe. Antonio Caliciotti ( PIME -FOC)

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.

De volta ao topo